Em agosto de mil novecentos e sessenta e seis, dois técnicos em eletrônica foram encontrados mortos no Morro do Vintém, em Niterói. Os corpos apresentavam máscaras de chumbo e bilhetes que mencionavam cápsulas e um sinal marcado, configurando um dos casos mais estranhos da cidade.
Os homens, que vieram de Campos dos Goytacazes, eram especialistas na instalação de transmissores e repetidores de televisão. Segundo registros policiais, eles possuíam cerca de dois vírgula três milhões de cruzeiros, valor aproximado a um mil dólar na época. No dia dezessete de agosto, os dois passaram pela Rodoviária de Niterói e seguiram para a área do Morro do Vintém, onde foram localizados.
Ao lado dos corpos, havia uma garrafa de água e as duas máscaras de chumbo. Também foram encontrados bilhetes com instruções, como “18h30m — ingerir cápsulas. Após efeito, proteger a metade do rosto com as máscaras de chumbo. Aguardar o sinal marcado.” A perícia não conseguiu determinar a causa das mortes, e as vísceras recolhidas teriam se deteriorado antes do exame toxicológico.
O episódio ganhou contornos misteriosos com relatos de moradores da região. Na noite de dezessete de agosto, pessoas afirmaram ter visto um objeto luminoso sobre o Morro do Vintém. Uma neta de Gracinda Barbosa Coutinho de Souza, que testemunhou o evento, relatou ter visto luzes sobre o morro naquela noite.
Investigadores da época consideraram hipóteses variadas, incluindo experimento fracassado, suicídio ou assassinato. A vida pregressa dos técnicos indicava interesse em experiências espirituais e contatos extraterrestres. O caso foi arquivado, mas a lembrança dos fatos persiste.

