Associações de moradores e entidades civis realizam um protesto neste domingo (30), às 10h, no heliponto da Lagoa, no Rio de Janeiro. O grupo, sob o mote “Rio livre de helicópteros sem lei”, pede o fim dos voos em áreas residenciais e fiscalização rigorosa de empresas de passeios panorâmicos.
A Associação dos Moradores da Urca (Amour) integra a mobilização. A entidade afirma que não se opõe à atividade turística, mas critica a insegurança e o excesso de barulho. Segundo a Amour, a luta por restrições em áreas residenciais ocorre há décadas, tendo resultado em 2012 no fechamento de helipontos no Pão de Açúcar e na Lagoa, embora apenas o do Morro Dona Marta permaneça fechado.
Em 2024, após representação ao Ministério Público Federal, o movimento participou da elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com empresas de voos turísticos. O acordo previa limites de altitude, distanciamento do Cristo Redentor e a proibição de voos pairados para reduzir o impacto sobre as residências.
A associação alega que as medidas do TAC não foram suficientes e que as regras não são cumpridas integralmente. Moradores relatam a permanência de aeronaves em baixa altitude e ruídos constantes provocados pela frequência dos passeios. “Somos contra o barulho excessivo, a insegurança e o desrespeito a quem mora na cidade”, declarou a entidade.
O movimento ganha força após dois acidentes graves na cidade. Em junho, a colisão de dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes matou seis pessoas, incluindo o cantor americano Oliver Tree Nickel. No dia 8 de agosto, quatro pessoas morreram na queda de um Robinson R44, operado pela Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos Ltda., na região da Vista Chinesa.
Entre as vítimas do acidente de agosto estavam o piloto Alessandro Rocha e as turistas colombianas Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy Manrique. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) não responderam aos pedidos de manifestação até a publicação desta reportagem.


