O Morgan Stanley elevou a recomendação para as ações da Light (LIGT3), alterando a classificação de Equal Weight para Overweight. A instituição fundamenta a mudança na expectativa de que a revisão regulatória sobre perdas de energia, prevista entre setembro de 2026 e março de 2027, funcione como um catalisador para a companhia.
O banco avalia que o mercado mantém uma visão excessivamente pessimista, o que torna a relação entre risco e retorno atrativa. O principal desafio da distribuidora é o volume de perdas não técnicas, causadas principalmente por furtos de energia, que geram uma defasagem anual de aproximadamente R$ 1 bilhão no Ebitda.
A revisão tarifária de março de 2027 poderá reduzir essa diferença. Mesmo em um cenário conservador, o Morgan Stanley estima que o impacto negativo das perdas caia para R$ 600 milhões por ano. Se houver mudanças no modelo de avaliação regulatória, a melhora econômica pode ser superior.
O preço justo da ação foi calculado em R$ 4,50, o que representa um potencial de alta de 35%. Em um cenário moderadamente favorável, o valor poderia chegar a R$ 5,60, com valorização de 68%. Já a projeção mais otimista prevê o preço de R$ 9 por ação, indicando alta de 170%.
No cenário pessimista, o banco projeta o valor de R$ 2 por ação, o que significaria uma queda de 40%. Esse resultado consideraria provisões extras, dificuldades de captação de recursos e resultados regulatórios desfavoráveis.
A análise indica que a Light sai da recuperação judicial com finanças mais sólidas, mas a sustentabilidade depende da redução da diferença entre perdas reais e as reconhecidas na tarifa. Outros fatores de valor incluem a monetização de R$ 5 bilhões em créditos tributários e a retomada do acesso ao mercado de capitais.
A recomendação é voltada a investidores com maior tolerância ao risco. Os analistas apontam como desafios a pressão vendedora pelo vencimento do lock-up, incertezas sobre ativos de geração e possíveis obstáculos na recuperação de créditos de PIS/Cofins.

