As mortes de crianças e adolescentes de zero a dezessete anos causadas por ações policiais aumentaram 3,9% entre 2024 e 2025. Das 2.079 mortes registradas no ano, 428 ocorreram em decorrência de intervenção das forças de segurança. Apesar desse avanço, o Brasil registrou queda de 10,8% nas mortes violentas intencionais da faixa etária em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026.
O perfil das vítimas indica concentração racial e etária. Oitenta e seis vírgula três por cento dos adolescentes de doze a dezessete anos falecidos eram negros, enquanto sessenta e dois vírgula seis por cento das crianças de zero a onze anos apresentavam essa característica. A média diária de óbitos na faixa etária é de quase seis jovens no território nacional.
Em evento em Brasília, especialistas do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentaram um manifesto cobrando compromissos públicos dos candidatos às eleições de 2026. Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, declarou que o objetivo é analisar programas de governo para incluir o combate à violência infantil nas agendas políticas.
Os dados também apontam para um aumento de crimes não letais no ambiente doméstico. Os registros de maus-tratos cresceram 106,1% de 2021 a 2025, totalizando 38.986 ocorrências. Além disso, sessenta e um mil, sete vírgula seis crianças e adolescentes foram vítimas de violência sexual em 2025, conforme apontado pelas entidades.
A violência armada fora de casa afeta a rotina escolar. No Rio de Janeiro, cento e noventa mil crianças tiveram o trajeto casa-escola impactado. A disparidade no aprendizado é visível, pois estudantes em áreas controladas por crime organizado pontuam, em média, dez pontos a menos no Saeb.


