O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o influenciador e ex-deputado estadual Arthur do Val por incitação ao crime. A ação, protocolada nesta terça-feira (25), baseia-se em comentários feitos em vídeo no YouTube sobre a Operação Carbono Oculto, que investigou lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na gravação, o ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) afirmou que o “vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro para o crime organizado tem que ser morto”. Segundo a denúncia, assinada pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal, a fala foi direcionada a pessoas que defendiam Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, investigados na operação realizada em agosto do ano passado.
Arthur do Val publicou um vídeo nas redes sociais após a divulgação do caso. Ele alegou que não foi citado oficialmente e que soube da ação pela imprensa. O ex-parlamentar argumentou que a declaração era uma opinião sobre assunto público e negou ter incentivado a prática de violência ou o uso de armas contra terceiros.
O nome do influenciador voltou a ser pauta nesta semana após debate no podcast Inteligência LTDA. Durante a participação, ele ironizou o relato de Natália Boulos, candidata a deputada federal pelo PSOL, sobre a avó ucraniana que foi submetida a trabalhos forçados na Segunda Guerra Mundial. Boulos classificou a fala como misógina.
Arthur do Val teve o mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) cassado por quebra de decoro após a divulgação de mensagens em que chamava refugiadas ucranianas de “deusas” e dizia que eram “fáceis porque são pobres”. Ele renunciou ao cargo durante o processo, mas a cassação foi mantida por votação unânime.
Inelegível até 2030, o ex-deputado entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão e disputar as eleições. O pedido foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes.


