O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou uma Notícia de Fato nesta segunda-feira (31) para apurar possível assédio eleitoral cometido pelo empresário Luciano Hang, dono da Havan. A investigação foi aberta após a gravação de um discurso do empresário a funcionários da rede em Caldas Novas (GO) sobre a proposta de fim da escala 6×1.
No vídeo, Hang afirma que a mudança na jornada de trabalho aumentaria o custo da mão de obra e reduziria o poder de compra dos empregados, o que forçaria parte deles a buscar um segundo emprego. O empresário classifica a medida como “estelionato eleitoral” e diz que políticos buscam o voto dos trabalhadores para as eleições de outubro.
Segundo o empresário, o custo da mão de obra na Havan poderia crescer 15% com a alteração. Ele argumenta que, se os salários forem mantidos e os produtos subirem entre 10% e 15%, o poder de compra seria menor. Hang menciona a possibilidade de trabalhadores precisarem de “subempregos” sem registro e benefícios para manter o padrão de consumo.
O MPT confirmou a abertura do procedimento, mas informou que o caso está em fase inicial e não há outros elementos para divulgação. A crítica ocorre antes da votação, nesta quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Até 18 de agosto, o MPT recebeu 169 denúncias formais de assédio eleitoral neste ano, número inferior aos 540 registrados no mesmo período de 2022. Em 2018, o órgão contabilizou 3.371 casos de pressão política sobre empregados em todo o país.
Havan e Luciano Hang já foram condenados anteriormente por influência política sobre funcionários. Em janeiro de 2024, a Justiça do Trabalho de Santa Catarina determinou o pagamento de R$ 1 milhão por dano moral coletivo e R$ 1 mil por dano moral individual a cada empregado vinculado à empresa até outubro de 2018. Em fevereiro de 2025, o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região condenou a empresa a pagar R$ 5.960 a uma funcionária em Jacareí (SP) por assédio eleitoral.
A defesa de Luciano Hang não respondeu aos contatos da imprensa até a publicação da reportagem.

