A volta da valorização de corpos muito magros nas redes sociais, concomitante à exposição de celebridades sobre as pressões da imagem, não eliminou a pressão estética. Segundo especialistas, a mudança de referências mantém a lógica da comparação, que pode gerar insatisfação ao confrontar o corpo real com imagens produzidas para o ambiente digital.
A psicóloga Jhoanne Hansen, integrante da Desvirtua, explica que a repetição de determinados tipos físicos nos feeds, impulsionada por algoritmos que favorecem o engajamento, cria uma falsa sensação de normalidade. Esse processo pode levar a pessoa a enxergar características naturais do próprio corpo como problemas que exigem correção.
Apesar da pressão, a arteterapeuta Juliana Nasasi, também da Desvirtua, afirma que a presença de imagens menos associadas à perfeição e a fala aberta de figuras públicas sobre autoestima podem ampliar a conversa. Para a especialista, valorizar corpos naturais permite que a identidade feminina deixe de ser condicionada apenas à aparência.
A relação entre estética e saúde também é questionada. A nutróloga Mariana Comério afirma que a definição abdominal, o chamado “tanquinho”, depende de genética e distribuição de gordura, não sendo um indicador isolado de saúde. Fatores como sono, estresse e menopausa interferem na composição corporal, tornando a aparência de uma região insuficiente para a avaliação clínica.
O risco de estratégias agressivas para alcançar resultados visuais rápidos é outro ponto de alerta. O cirurgião plástico Marco Cassol informou que o emagrecimento acelerado motivado por pressão estética pode causar perda de massa muscular, flacidez e alterações metabólicas. O médico defendeu que a transformação do corpo deve priorizar a segurança em vez da rapidez.


