Em Juiz de Fora, as mulheres representam 54,6% do eleitorado apto a votar em 2026, totalizando 215.859 eleitoras, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse percentual demonstra o poder decisivo do voto feminino na definição dos resultados eleitorais municipais.
Especialistas apontam que a conquista do voto feminino, consolidada ao longo das décadas, tornou a pauta feminina uma condição fundamental para disputas eleitorais equilibradas. O historiador político Fernando Perlatto, diretor do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), afirmou que “o eleitorado feminino nunca foi tão importante quanto agora. As mulheres têm decidido as eleições”.
A influência feminina é notável em termos de escolaridade. Enquanto 29,4% do eleitorado feminino iniciou faculdade, a taxa entre os homens foi de 25,8%. O professor Moacir de Freitas Júnior, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), comentou que o eleitorado está mais concentrado em mulheres entre 50 e 60 anos, com escolaridade elevada.
A socióloga Alecilda Oliveira classifica as mulheres como um bloco estratégico nas eleições brasileiras. Ela disse que o tamanho desse eleitorado obriga os candidatos a dialogar com temas como violência doméstica, disparidade salarial e políticas de cuidado. Oliveira explicou que questões práticas, como acesso à saúde e creches, influenciam a avaliação política das eleitoras.
Apesar de serem maioria no voto, as mulheres ainda enfrentam sub-representação nos cargos de poder, segundo Oliveira. Ela observou um “déficit de legitimidade democrática” entre quem vota e quem exerce os mandatos, reforçando a necessidade de propostas que atendam às demandas femininas.

