Cerca de oito em cada dez mulheres lésbicas enfrentam violência cotidiana no Brasil, conforme o LesboCenso Nacional. A lesbofobia figura entre os registros de violência, e o Dia Nacional do Orgulho Lésbico, celebrado nesta quarta-feira (19), marca a luta por direitos.
A assistente social Michele Seixas, coordenadora política nacional na Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), listou prioridades para o movimento. Entre elas, a busca por saúde integral de qualidade e melhores oportunidades no mercado de trabalho. Seixas defende atendimento qualificado no Sistema Único de Saúde (SUS), alegando que a saúde tem sido invisibilizada para a população lésbica.
A ativista apontou que a entrevista clínica deve obrigatoriamente coletar a orientação sexual do paciente para direcionar o cuidado. Sobre direitos reprodutivos, ela criticou a Política de Planejamento Familiar, afirmando que ela não assiste as lésbicas e que o acesso à dupla maternidade por reprodução humana é uma reivindicação.
No âmbito profissional, a lesbofobia dificulta o acesso a empregos dignos. Segundo Seixas, mulheres lésbicas que desafiam padrões de gênero sofrem maior exclusão, sendo forçadas a performar feminilidade padrão para conseguir vagas.
O levantamento, realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Coturno de Vênus, mostrou que a lesbofobia ocupa a segunda posição em registros de violências. A especialista lamentou a falta de dados produzidos pelo Estado sobre as violações sofridas por esse público.

