Apesar dos avanços legais e do aumento de mulheres filiadas aos partidos, a representação feminina nos espaços de poder político brasileiro segue minoritária. Mulheres compõem a maioria do eleitorado, mas permanecem em menor número nos governos e parlamentos, segundo análise sobre o tema.
A legislação eleitoral exige um percentual mínimo de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais. Essa regra foi uma conquista que ajudou a ampliar a presença feminina. Contudo, o cumprimento dessa cota, em alguns partidos, se torna uma formalidade burocrática.
Observa-se que nem toda candidatura feminina nasce de um projeto político sólido. Há casos em que mulheres são convidadas a concorrer sem trajetória política prévia ou intenção real de disputa. Muitas vezes, o foco é apenas preencher a chapa, e não construir uma candidatura viável.
Mesmo com o registro formal, candidatas podem não receber estrutura, recursos ou visibilidade comparáveis aos nomes priorizados pelas legendas. A Justiça Eleitoral já julgou processos sobre candidaturas femininas fictícias usadas para fraudar a cota de gênero. Existe, porém, uma realidade mais sutil, onde a candidatura cumpre os requisitos, mas não é tratada como uma chance real de eleição.
Para que haja mudança na distribuição de poder, é preciso que as mulheres estejam presentes nas decisões internas dos partidos, na formação de lideranças e na distribuição de recursos. A participação feminina deve ser medida não só pelo registro, mas pelo espaço real que ocupam após o fim das eleições.


