Especialistas apontam que mulheres e meninas são apagadas da vida pública no Afeganistão sob o governo do Talibã. As restrições, que se assemelham às do final dos anos noventa, proíbem o acesso ao ensino superior e limitam emprego e circulação feminina.
A agência das Nações Unidas para as mulheres afirmou que nenhum outro país moderno desmantelou os direitos de metade de sua população por meio de leis e práticas na mesma proporção. Mais de cento e sessenta decretos foram emitidos contra mulheres e meninas, restringindo opções de trabalho, vestimenta e participação em decisões. Crises econômicas e humanitárias também afetam desproporcionalmente esse grupo, segundo um relatório da ONU Mulheres.
O documento da ONU Mulheres, baseado em pesquisas com cerca de cinco mil afegãos, revelou que o isolamento feminino cresceu. Noventa por cento das entrevistadas afirmaram precisar de autorização masculina para sair de casa, enquanto mais de cinquenta por cento saía apenas uma ou duas vezes no mês. Quase quarenta por cento das entrevistadas disseram sentir maior pressão para se conformar por medo de denúncias.
O país é o único no mundo a proibir formalmente o acesso de meninas e mulheres à educação além do nível primário. Analistas de direitos humanos alertam que essa exclusão prolongada aprofunda o atraso social e compromete as perspectivas de recuperação do país. A UNESCO solicitou a restauração integral do direito à educação para as mulheres afegãs.


