Ainda que a presença feminina no mercado de seguros esteja consolidada, dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que as mulheres figuram em menor proporção como consumidoras em vários produtos financeiros no Brasil. O levantamento, baseado em dados até dezembro de dois mil e vinte e quatro, revela diferenças significativas entre os gêneros.
A maior participação feminina foi registrada na previdência privada aberta, atingindo 44,9% dos contratos. Em contraste, a menor representatividade de seguradas ocorreu nos seguros climáticos e rurais, onde o índice chegou a 13,4% do total de contratantes. A pesquisa da Susep, contudo, possui caráter descritivo e não investiga os motivos desses números.
O estudo também evidenciou disparidade nos valores de contribuição. Na previdência privada aberta, a contribuição média masculina foi de R$ 17.218, valor 30% superior à média feminina, que alcançou R$ 13.187. Camila Maximo, presidente da Sou Segura, associação sem fins lucrativos, afirmou que a menor presença não é falta de interesse, mas reflexo de desigualdades econômicas.
A executiva da Sou Segura apontou que o histórico do setor financeiro, que frequentemente ignorou as necessidades femininas no planejamento patrimonial, contribui para a menor familiaridade com produtos. Ela ressalta que as mulheres possuem riscos e necessidades específicas, como maternidade e maior longevidade, que exigem produtos adaptados.
Adicionalmente, a falta de dados desagregados por gênero dificulta o mapeamento preciso do perfil das consumidoras. Sem essas informações, as seguradoras têm dificuldade em dimensionar suas seguradas, o que afeta a precificação e o desenvolvimento de produtos, segundo Camila Maximo.

