Em agosto, embarcações que cruzaram o Estreito de Ormuz utilizaram predominantemente rotas não identificadas, segundo dados da empresa Kpler. O tráfego revela que muitos navios evitam o sistema de identificação automática, indicando receio das tensões regionais.
Entre o primeiro e o dezenove de agosto, 236 embarcações transitaram pelo estreito. Dessas, apenas oitenta e três seguiram a rota próxima à costa iraniana, enquanto somente três declararam seguir a rota próxima a Omã. Duas embarcações utilizaram a antiga passagem central.
Cerca de sessenta por cento do total, ou seja, cento e quarenta e oito navios, navegaram com trajetos desconhecidos ou em modo “dark”, quando o sistema de identificação automática (AIS) é desligado ou os dados não permitem definir o corredor utilizado. Essa prática dificulta a determinação do controle efetivo do estreito.
No transporte de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e gás liquefeito de petróleo (GLP), registraram-se cento e doze trânsitos. Vinte e um usaram abertamente a rota iraniana, contra apenas dois que mencionaram a rota omanense. Os outros oitenta e nove tiveram trajetos classificados como desconhecidos ou “dark”.
A ocultação do trajeto ocorre porque tanto o Irã quanto os Estados Unidos atacaram embarcações durante a guerra, acusando-as de violar regras ou bloqueios. A escalada das tensões também afetou o mercado de energia; na manhã de vinte de agosto, o petróleo Brent estava cotado em US$ 92,90 por barril.

