Uma dissidência do grupo Povo de Israel (PVI) organiza a criação de uma nova facção criminosa, batizada de Primeiro Comando do Golpe, dentro do sistema penitenciário do Rio de Janeiro. A movimentação começou após a morte do chefe do PVI, Avelino Gonçalves Lima, de 54 anos, ocorrida no ano passado.
A Secretaria estadual de Polícia Penal (Seppen) mobilizou o setor de inteligência para identificar os detentos envolvidos e aplicar medidas de segurança, como o isolamento. Um servidor da pasta informou que pelo menos 60 presos já foram identificados no novo grupo e que a disputa com o PVI ocorre em várias unidades.
Relatos de conflitos apareceram em documentos do Conselho Penitenciário do Estado do Rio (Cperj) após vistoria em julho no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão. Conselheiros ouviram detentos relatarem espancamentos e ameaças de morte. Um interno afirmou ter sofrido fraturas em três costelas durante briga entre as organizações.
No dia 23 de julho, no Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó, presos do Primeiro Comando do Golpe atearam fogo em uma galeria para tentar assumir o controle do espaço. A ação teria sido comandada por um detento conhecido como TH, que tentou incitar outros presos a simular uma emergência médica antes do incêndio. O homem e outros cinco internos foram isolados em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
O Cperj classificou a situação como crítica em ofício enviado à Seppen no dia 9 de julho. O conselheiro Enzo Luchione afirmou que a dissidência, somada à falta de servidores e à superlotação, gera grave instabilidade. A unidade de São Cristóvão, com capacidade para 1.497 pessoas, abrigava 3.244 internos, ocupação de 217%.
O Povo de Israel é formado por presos chamados de neutros, que não pertencem ao Comando Vermelho (CV), ao Terceiro Comando Puro (TCP) ou aos Amigos dos Amigos (ADA). A principal renda do grupo vem de golpes por telefone e comércio de drogas nas prisões. No início de agosto, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) prendeu um policial penal suspeito de facilitar a entrada de celulares e entorpecentes para o grupo.
A Seppen negou os relatos de agressão, mas informou que adota medidas para resolver a superlotação e enviou relatórios sobre a nova facção aos setores de inteligência da Segurança Pública.


