As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) são responsáveis por quase nove em cada dez reais dos empréstimos em atraso no país. Em junho de 2026, essas empresas concentravam R$ 75,6 bilhões dos R$ 85,1 bilhões em crédito concedido há mais de noventa dias.
O índice de inadimplência das MPMEs atingiu 5,71% em junho, valor muito superior aos 0,66% registrado pelas grandes companhias. A diferença de 5,05 pontos percentuais é uma das maiores registradas pelo Banco Central desde agosto de dois mil dezessete. O peso das menores no saldo devedor ocorre mesmo com divisão equilibrada na concessão de crédito.
A alta na taxa de inadimplência inclui um fator regulatório. Segundo o Banco Central, setenta por cento do aumento de 0,78 ponto percentual na inadimplência do sistema financeiro até junho de dois mil vinte e cinco decorre da Resolução CMN nº 4.966. Essa norma obriga os bancos a usar a metodologia de “perda esperada”, exigindo provisão de recursos com base em riscos futuros.
A diretora jurídica e sócia da Safegold Gestão Empresarial, Silvia Wilbert, explicou que a resolução impulsionou o registro da inadimplência. Além disso, os bancos aumentam o *spread* bancário para cobrir o risco de calotes, pois as MPMEs geralmente não possuem garantias robustas como as grandes corporações.
Pesquisas indicam que a gestão financeira das empresas menores apresenta falhas. Um levantamento da Safegold apontou que mais de sessenta e três por cento das empresas não sabem a taxa efetiva de juros que pagam. A projeção é de que a pressão sobre as empresas permaneça alta, dada a manutenção da Selic em patamar elevado.


