O lago Nyos, no noroeste de Camarões, liberou uma nuvem de dióxido de carbono na noite de 21 de agosto de 1986, matando cerca de 1.700 pessoas e 3.500 cabeças de gado. O gás, mais pesado que o ar, asfixiou moradores próximos aos povoados.
Quarenta anos após o evento, sobreviventes ainda manifestam receio de retornar à região. Segundo o geólogo Isaac Konfor Njilah, chefe de laboratório do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Yaoundé, o desastre pegou a população de surpresa, sem sinais de alerta prévio.
As investigações científicas determinaram que o dióxido de carbono vinha se acumulando no fundo do lago, preso sob mais de 200 metros de água. O gás, inofensivo em concentrações normais, deslocou o oxigênio em níveis elevados, causando a asfixia nas comunidades vizinhas.
Um incidente similar ocorreu dois anos antes, em 15 de agosto de 1984, no lago Monoun, onde 37 pessoas morreram. Os pesquisadores concluíram que o fenômeno foi uma erupção límnica. Engenheiros instalaram tubos de desgaseificação no lago Nyos, e Njilah afirma que hoje a água não possui dióxido de carbono suficiente para um novo desastre.
Contudo, o retorno das comunidades é dificultado por um conflito separatista que eclodiu em 2016 nas regiões Noroeste e Sudoeste do país. A insegurança impede o acesso e o trabalho científico, apesar do desejo dos sobreviventes de voltar às terras ancestrais.

