Boris Nadezhdin, opositor russo, reside na França após deixar o país em agosto, fugindo da Rússia. O político de 63 anos, que criticava o Kremlin, afirma que as barreiras políticas se moveram contra a dissidência.
Nadezhdin tentou não cruzar limites estabelecidos, mas percebeu que o regime endureceu após a invasão da Ucrânia em 2022. Ele foi acusado por críticos de ser uma figura de fachada dentro do sistema de poder russo. O ex-deputado, que trabalhou com o primeiro adjunto da administração presidencial, viu a proibição de qualquer crítica à chamada ‘operação militar especial’.
O político tentou se candidatar às eleições presidenciais de 2024, mas foi impedido. Em julho, soube que desafiar o Kremlin poderia levá-lo à prisão. Ele foi declarado ‘agente estrangeiro’ e recebeu multa por ‘extremismo’, antes de fugir.
Apesar dos obstáculos, Nadezhdin aponta que a demanda por paz na Rússia é grande. Ele encontrou centenas de jovens que manifestam desejo por um retorno à vida normal. Pesquisa realizada em julho pelo Centro Levada indicou que 62% dos entrevistados apoiavam negociações de paz com a Ucrânia.
O opositor não se arrepende de sua passagem pelos círculos de poder russos. Ele considera que os eleitores russos entenderam o custo das supostas vitórias. Nadezhdin planeja resistir na França até poder retornar à Rússia, onde sua família permanece.


