Economistas do PicPay, Ariane Benedito e Matheus Pizzani, afirmam que a oferta contínua de crédito impede a piora dos indicadores de inadimplência no país. Segundo os analistas, interromper o fluxo de crédito poderia elevar os índices de atraso.
Ariane Benedito explica que o consumidor brasileiro frequentemente usa uma linha de crédito para quitar outra dívida. Esse arranjo, embora preserve a adimplência no curto prazo, mantém altos os índices de comprometimento de renda. Benedito classifica esse movimento como um “crédito sujo”, concentrado em produtos de alto custo, como rotativo de cartão e cheque especial.
Para os economistas, o efeito é uma “estabilização artificial”. O devedor permanece endividado, mas sem migrar para o atraso formal. Benedito aponta que a expansão da bancarização, impulsionada por bancos digitais, aumentou o acesso financeiro, mas também o comprometimento da renda familiar.
A analista considera que a dinâmica é estrutural e não pode ser revertida rapidamente, exigindo anos para mudanças nos números. Interromper a concessão de crédito seria uma medida extrema, comparada a um “tiro de misericórdia” na capacidade de pagamento do consumidor.
A existência desse mecanismo também explica a recorrência de programas de renegociação de dívidas. Benedito acrescenta que forçar o barateamento do crédito sem reduzir o risco pode levar as instituições financeiras a diminuir a oferta de crédito, piorando os índices de inadimplência.


