O sofrimento psicológico ligado às mudanças climáticas, denominado ecoansiedade, afeta milhões de franceses. O mal-estar cresce em um verão marcado por ondas de calor e secas. Pesquisas indicam que 16,6 milhões de franceses apresentam sintomas de angústia ambiental.
A pesquisadora Véronique Lapaige definiu o termo em mil novecentos e noventa e seis como um mal-estar identitário ligado à consciência das transformações do planeta. Um estudo oficial de 2025 aponta que o aumento dos incêndios florestais e das ondas de calor neste verão elevou em 2,6 milhões o número de pessoas que sofrem com essa condição, segundo Pierre-Éric Sutter, diretor do Observatório da Ecoansiedade.
A França registrou um recorde de cinquenta e dois dias de onda de calor desde meados de junho. Um engenheiro, que pediu licença médica durante o pico de calor em junho, relatou fortes crises de angústia e dificuldade de concentração. Ele expressou preocupação com os próximos verões.
As autoridades francesas iniciaram uma campanha em julho para orientar sobre como lidar com a ecoansiedade. Sutter explica que o quadro varia de preocupação a pensamentos suicidas, mas que a condição não é uma doença. Ele sugere grupos de apoio, iniciativa que a associação Makesense organiza desde 2025.
Médicos e especialistas apontam que a recuperação passa pela regulação das emoções e pelo engajamento em causas ambientais. Uma consultora de desenvolvimento sustentável, por exemplo, direcionou sua carreira à pauta após desenvolver o quadro em dois mil e dez.

