A Operação Simulatio investiga um suposto esquema de fraudes em licitações e contratações diretas no estado de Goiás. As apurações apontam ilegalidades por meio de atas de adesão fraudulentas, com prejuízo estimado acima de R$ 14 milhões aos cofres públicos.
A força-tarefa cumpriu três mandados de prisão preventiva, quatro medidas de afastamento de cargos públicos e 44 mandados de busca e apreensão. Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO), a empresa beneficiada recebeu mais de R$ 88,3 milhões em valores liquidados, totalizando contratos investigados acima de R$ 273 milhões.
As investigações analisaram contratos entre dois mil e vinte e um e dois mil e vinte e seis, embora o grupo empresarial mantivesse vínculos com prefeituras e o governo estadual de dois mil e quinze a dois mil e vinte e cinco. O caso também envolve a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), onde foram vistas irregularidades em contratos com a César Sistemas Construtivos Ltda.
A discussão sobre o sigilo na investigação ganhou destaque após a divulgação das primeiras diligências. Clodoaldo Moreira, professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), afirmou que a publicidade é a regra no Estado de Direito. Ele explicou que restrições só são cabíveis para evitar prejuízos a diligências ou destruição de provas.
A advogada criminalista Fernanda Albuquerque diferencia o sigilo investigativo do segredo de justiça. Ela declarou que o fato de envolver dinheiro público não justifica o segredo de justiça, pois o interesse público na fiscalização da Administração Pública é um argumento forte a favor da publicidade. Pedro Paulo Medeiros complementou que, após a deflagração da operação e cumprimento das buscas, o fundamento inicial para o sigilo se esvazia.


