A tentativa da Apex de adquirir 15,5% das ações da CVC gerou apreensão no mercado. A empresa solicitou uma medida cautelar para prevenir a fuga de capital e a execução de quase R$ 1 bilhão em dívidas. Cotistas são orientados a aguardar a apuração dos fatos.
A Apex, que administra cerca de R$ 17,5 bilhões sob gestão, era vista como um canal para crédito privado e private equity na região. Segundo Isac Costa, doutor em direito econômico e financeiro pela USP, a crise pode elevar o custo de captação para empresas do Espírito Santo e gerar risco reputacional para o ecossistema financeiro local.
O alerta se estende ao mercado imobiliário capixaba. Caso a Apex apresente insolvência, fundos imobiliários que apoiavam o setor e empreiteiras locais podem ser afetados. Tiago Amaral, advogado, comparou a situação a casos anteriores, como o do banco Master, focando no papel das garantias na percepção de risco do investidor.
Juridicamente, os casos divergem. Enquanto no Master os CDBs eram obrigações da instituição emissora e possuíam cobertura do FGC, na Apex a proteção noticiada tem natureza contratual e depende da estrutura jurídica específica. A empresa demitiu cerca de 80% dos trabalhadores e afastou seu presidente e diretor financeiro.
A medida cautelar da Apex tem prazo de 60 dias. Após esse período, a companhia pode entrar em recuperação judicial, o que dificultaria a proteção do patrimônio de cotistas e credores.

