A fama de azar atribuída ao mês de agosto, popularmente chamado de “mês do desgosto”, tem origem nas Grandes Navegações do século XVI, em Portugal. Segundo a historiadora Isabel Fogaça, a crença surgiu devido à incerteza sobre o retorno de homens que partiam em longas viagens marítimas.
Naquela época, as mulheres que permaneciam em terra enfrentavam a dúvida sobre a volta dos maridos. Essa situação levou muitas a evitarem o casamento durante o oitavo mês do ano, consolidando a ideia de que a união nesse período traria infelicidade. A tradição foi transportada para o Brasil, onde a expressão se popularizou.
A imagem negativa do mês foi reforçada por fatos históricos. No Brasil, destacam-se o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, e a renúncia de Jânio Quadros, ocorrida em 25 de agosto de 1961. No cenário internacional, os ataques nucleares a Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, também alimentaram o imaginário popular.
Outra crença associada ao período é a definição de “mês do cachorro louco”, referente ao comportamento dos cães. A historiadora afirma que a noção de energia negativa no mês não possui base científica.
Fogaça sugere que o período seja utilizado para reflexão e renovação. Para a especialista, agosto pode servir como oportunidade para encerrar ciclos e reorganizar objetivos pessoais, em vez de ser temido como um mês de azar.

