O Pacto Rio-Grandense pela Descarbonização da Saúde foi lançado em Porto Alegre, reunindo entidades médicas e especialistas. O movimento visa discutir e propor medidas contra os riscos da poluição interna, que afeta a saúde em hospitais, escolas e empresas.
O Pacto envolve o Instituto SafeWeb, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul e sociedades médicas regionais. Segundo os especialistas, grande parte do tempo é passada em ambientes internos, onde a concentração de poluentes pode ultrapassar a externa. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis.
O epidemiologista Ayrton Tetelbaum Stein, do Biohub Tecnopuc, afirmou que o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, respiratórias e neurológicas em ambientes internos exige ser tratado com a mesma seriedade do fumo passivo. O pacto prevê um diagnóstico que incluirá a identificação de poluentes como CO₂, monóxido de carbono, formaldeído e material particulado.
A estratégia subsequente focará na substituição tecnológica, priorizando energias renováveis e eletrificação eficiente. Um ponto também é a padronização da medição e monitoramento do ar interior, permitindo estabelecer limites de qualidade para ambientes laborais. O cardiologista Luiz Carlos Bodanévic disse que estudos internacionais mostram que a poluição supera fatores como hipertensão em anos de vida perdidos.
A pediatra Maria Dolores Bressan, vice-coordenadora do Grupo de Pediatria do Sindicato Médico, alertou que partículas e gases alcançam a placenta, impactando bebês em gestação. O movimento busca transformar espaços internos em locais mais saudáveis, consolidando um pacto entre sociedade, empresas e gestores públicos.


