A Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) iniciou a adaptação dos procedimentos de doação de sangue às novas normas do Ministério da Saúde. A mudança segue a Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em julho, que entra em vigor oficialmente no fim de setembro em todo o país.
A atualização elimina o limite máximo de idade para quem já é doador regular, permitindo que pessoas com mais de 70 anos continuem contribuindo, desde que a avaliação médica confirme a aptidão e a boa condição de saúde. Para novos doadores, a faixa etária permanece entre 16 e 60 anos, com exigência de autorização dos responsáveis para adolescentes e peso mínimo de 50 quilos.
O prazo de inaptidão temporária para quem realizou tatuagem, maquiagem definitiva, micropigmentação, botox, preenchimento ou microagulhamento foi reduzido para sete dias, caso o serviço tenha sido feito em local que cumpra exigências sanitárias. Se as condições do estabelecimento não forem confirmadas, o intervalo é de quatro meses. Piercings na boca ou região genital exigem espera de quatro meses após a retirada.
A regulamentação proíbe o uso de orientação sexual, identidade de gênero, profissão ou condição socioeconômica como critérios de discriminação. O cadastro deve respeitar o nome social de pessoas trans e travestis. Também foram atualizados os critérios sobre vacinação, uso de medicamentos como PrEP e PEP e relações sexuais recentes.
Hospitais estão proibidos de condicionar o atendimento de pacientes à apresentação de familiares ou conhecidos para a doação de reposição. A norma estabelece que a doação deve ser voluntária, vedando qualquer pressão ou constrangimento a parentes para a reposição de bolsas utilizadas em tratamentos.
Segundo o Ministério da Saúde, as alterações visam aprimorar a rastreabilidade das bolsas e adequar a triagem aos avanços laboratoriais e ao cenário epidemiológico. Os candidatos continuam submetidos à triagem clínica e o sangue coletado passa por exames obrigatórios antes de ser disponibilizado.

