O Governo do Pará decretou alerta climático e ambiental em todo o território estadual por 180 dias, diante dos possíveis impactos do El Niño entre 2026 e 2027. A medida, publicada na última segunda-feira (24), visa preparar o poder público para cenários de seca severa, calor intenso, queimadas e redução do nível dos rios.
O professor titular do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPA), Everaldo Barreiros de Souza, afirmou que a iniciativa é importante para a antecipação de danos. Segundo o especialista, o fenômeno natural de aquecimento do Oceano Pacífico inibe a formação de nuvens, o que pode provocar longos períodos sem chuva e ondas de calor, com temperaturas podendo superar os 36 graus em Belém.
Um dos pontos críticos apontados é a redução do nível dos rios, que pode isolar comunidades ribeirinhas e dificultar o transporte por barcos. Barreiros explicou que a baixa dos rios compromete a segurança alimentar e o acesso à água potável, já que a água remanescente tende a ficar contaminada, além de prejudicar a pesca.
A combinação de estiagem e vegetação seca eleva o risco de incêndios florestais de grandes proporções. O professor alertou que a fumaça resultante dessas queimadas prejudica a qualidade do ar e pode induzir doenças respiratórias, afetando prioritariamente crianças e idosos.
Para enfrentar a crise, o docente sugere a criação de salas de situação que integrem profissionais de meteorologia, engenharia, saúde, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Ele defende que o Estado coordene ações com as prefeituras para garantir o abastecimento de água e alimentos em áreas vulneráveis e populações indígenas.
O Decreto Estadual nº 5.606/2026 tem caráter preventivo e não configura estado de emergência ou calamidade pública. A meta é organizar a estrutura pública antes que a redução dos rios e a seca intensifiquem os danos, baseando-se na experiência de 2023 e 2024, quando regiões como Tapajós, Altamira e Marajó sofreram impactos significativos.

