A Província do Grão-Pará passou a fazer parte do Império brasileiro em 15 de agosto de 1823. O processo, ocorrido um ano após a Independência do Brasil, foi marcado por forte influência portuguesa e pressão política, segundo o historiador Márcio Neco.
Neco afirma que a adesão não foi espontânea, mas sim uma imposição para concluir o processo de independência territorial. Na época, grande parte dos cargos de poder na província pertencia a pessoas de origem portuguesa, mantendo laços comerciais e políticos com a antiga metrópole. Isso gerava pouca vontade em se juntar ao novo Império.
A situação mudou com a chegada de um militar inglês, contratado por Dom Pedro I. Fontes históricas indicam que este indivíduo ameaçou bloquear a capital e impedir o acesso ao porto de Belém caso a província não aderisse. A ata da adesão foi assinada em 15 de agosto de 1823.
Apesar da mudança política, a população não viu transformação imediata. O acordo beneficiou grupos de poder estabelecidos. Neco destaca que escravizados permaneceram escravizados, e a situação social não melhorou para a maioria. Ele aponta que o historiador dividiu a sociedade em três grupos: os que apoiavam a adesão, os que queriam manter laços com Portugal e os que buscavam autonomia republicana.
Tensões após 1823 levaram a conflitos, como o Massacre do Brigue Palhaço, ocorrido em 20 de outubro, no qual duas cento e cinquenta e dois pessoas foram assassinadas. O historiador entende que essa violência fortaleceu o sentimento de resistência paraense, influenciando o surgimento posterior da Cabanagem em 1835.

