O Banco Master recebeu um parecer do escritório Barci de Moraes, ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, que atestava a aptidão da instituição para captar recursos de previdências de servidores públicos. O documento foi elaborado após técnicos da Caixa Asset apontarem inconsistências e riscos nas operações do banco.
O parecer, datado de 30 de julho de 2024, foi encaminhado aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e permitiu que o banco continuasse a captar recursos. Durante julho e agosto de 2024, o Master levantou R$ 568,4 milhões junto a RPPS em letras financeiras, o que corresponde a cerca de 25% do volume total captado com fundos previdenciários, segundo fontes.
O contrato entre o Master e a banca da família do ministro foi firmado em fevereiro de 2024, no valor de R$ 129 milhões. O documento listou riscos na captação de recursos de RPPS, como conflito de interesse e falta de transparência. A Maceió Previdência informou que os apontamentos da Caixa são posteriores aos investimentos já realizados, e que o banco operava regularmente, autorizado por órgãos reguladores.
A situação ganhou complexidade com investigações da Polícia Federal, que deflagrou operações contra aplicações suspeitas do Master. A maior delas envolveu aportes de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência. Uma reunião entre o banco e o escritório ocorreu em 18 de julho de 2024, data em que o diretor do Master teve acesso a apuração preliminar do Ministério Público Federal sobre o negócio com a Caixa Asset.

