Partidos políticos iniciaram a criação de filtros para impedir que pessoas ligadas a facções e milícias se candidatem nas eleições deste ano. A medida ocorre sob pressão do Ministério Público Eleitoral (MPE), que recomendou providências para coibir a infiltração do crime organizado na política.
As novas regras exigem análise de documentação e a assinatura de termo pelo pré-candidato, atestando a ausência de vínculo com grupos criminosos. O MPE elaborou a recomendação no fim de junho, alertando que a inação dos partidos poderia levar o acionamento da Justiça Eleitoral por “dolo e desídia deliberada”.
Representantes de algumas siglas manifestaram resistência à cobrança. Um dirigente, em condição de anonimato, criticou a medida por terceirizar funções de órgãos de fiscalização, afirmando que os partidos não possuem os meios de investigação das polícias e do Ministério Público. Outro dirigente argumentou que a análise patrimonial pode gerar processos contra os partidos.
Em contrapartida, outras lideranças defenderam o cumprimento das diretrizes. O presidente de uma sigla afirmou que a recomendação “é praticamente uma ordem”, embora tenha ressaltado que a desconfiança sobre envolvimento com facção não faz sentido para a eleição. O MPE enviou as orientações aos procuradores regionais eleitorais, que as repassam aos diretórios estaduais.


