O Brasil proibiu a produção de foie gras desde julho, mas especialistas e ativistas apontam que inúmeras práticas na pecuária ainda geram críticas. Entre as condutas controversas estão o abate de vacas grávidas, o descarte de pintinhos machos e o uso de gaiolas para porcas e galinhas.
A proibição do foie gras, obtido por meio da gavagem, representa um avanço na proteção animal. Contudo, a médica-veterinária Carla Forte Maiolino Molento afirmou que interesses econômicos ainda prevalecem sobre o bem-estar animal no país. Ela destacou o abate de jumentos, cuja pele é vendida no mercado chinês, e a exportação marítima de gado vivo, onde milhões de animais sofrem em alto mar.
Outra prática sob escrutínio é o abate de vacas grávidas. Uma normativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) restringe o abate a fêmeas nos últimos 10% do período gestacional. No entanto, a professora Molento criticou detalhes da norma, como a remoção de fetos.
George Sturaro, diretor da Mercy For Animals, focou no descarte de pintinhos machos, que são triturados após a eclosão por não terem valor comercial. Estima-se que 85 milhões de pintinhos machos sejam mortos anualmente no Brasil. Ele sugeriu a adoção da sexagem in ovo, método usado na Itália e Alemanha, como alternativa.
Além disso, o uso de gaiolas para porcas e galinhas foi citado como um extremo sofrimento. Molento descreveu que porcas vivem em gaiolas do tamanho do próprio corpo, gerando sentimentos de depressão nos animais. As organizações da sociedade civil apoiam projetos de lei para proibir essas práticas.


