Os pedidos de marmitas congeladas em Goiás cresceram 25,2% no primeiro semestre de 2026, segundo dados do iFood. O avanço supera a média nacional de 13% e reflete uma mudança de hábito de consumidores que buscam porções menores e maior concentração de proteínas, influenciados pelo uso de medicamentos à base de GLP-1.
A popularização de fármacos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro abriu espaço para produtos de preparo rápido e controle de porções. De acordo com pesquisa da NielsenIQ, esses medicamentos alcançam 5% dos lares brasileiros, com penetração de 8,2% nos domicílios do Centro-Oeste. Entre os usuários, 84% relatam impacto moderado ou alto no orçamento mensal.
O setor de alimentos congelados no Brasil movimentou US$ 5,9 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) em 2025, conforme o grupo IMARC. A projeção é que o mercado atinja US$ 7,8 bilhões em 2034. No cenário regional, Goiás ficou atrás apenas do Ceará (136%), Espírito Santo (81%) e Rio de Janeiro (25,7%) no crescimento de pedidos de marmitas.
A mudança de comportamento impacta os gastos dos consumidores. A NielsenIQ aponta que as despesas com saídas para bares (62,3%), serviços (56,6%), restaurantes (54,9%) e lazer (50%) perderam espaço, enquanto alimentos frescos e proteínas ganharam importância. O perfil do usuário de GLP-1 no país é composto por 69,5% de pessoas de nível socioeconômico alto.
Grandes empresas do setor já adaptaram seus portfólios. A Liv Up informou que a participação de clientes que utilizam GLP-1 subiu de 5% para 10% da base em um ano, com vendas de linhas de emagrecimento e performance esportiva caminhando para R$ 150 milhões no segundo ano de operação. A Vapza registrou crescimento de 15% no faturamento e 12% no volume de vendas após destacar a quantidade de proteínas em suas embalagens.
A Seara, da JBS, também lançou refeições prontas com conceito de clean label, utilizando ingredientes simples nos rótulos. O mercado de alimentação fora do lar movimentou R$ 287,9 bilhões no Brasil em 2025, com 1,2 milhão de estabelecimentos ativos, dos quais 72,04% eram pequenos negócios.


