Aplicar perfume na região do pescoço, um hábito comum, gera dúvidas sobre danos à tireoide. Uma nutricionista da Universidade de Cambridge afirmou que não há provas de que a prática cause problemas na glândula. Contudo, ela alertou para a possível exposição prolongada a substâncias presentes nas fragrâncias.
A tireoide, glândula em formato de borboleta no pescoço, produz hormônios que regulam o uso de energia pelo organismo. Embora localizada ali, a glândula possui proteção de tecido conjuntivo e muscular. Quando o perfume evapora, seus componentes podem ser absorvidos pela pele ou chegar à corrente sanguínea, dependendo de fatores como a composição química e a dose utilizada.
Grande parte da preocupação envolve ftalatos, substâncias químicas usadas em fragrâncias e plásticos. Um artigo de 2024 analisou 17 estudos com 5.616 crianças e adolescentes, encontrando associações entre exposição a ftalatos e níveis hormonais da tireoide. Os pesquisadores não investigaram, porém, o uso específico de perfume no pescoço, impossibilitando definir relação de causa e efeito.
Existem, contudo, riscos conhecidos associados ao uso de fragrâncias na pele. A dermatite alérgica de contato, por exemplo, afeta entre 0,7% e 2,6% da população mundial. Além disso, certos compostos podem provocar fototoxicidade, reação semelhante à queimadura solar quando expostos à radiação ultravioleta.
As principais preocupações atuais sobre fragrâncias estão ligadas a reações cutâneas e à exposição a compostos químicos. Não há evidências suficientes para afirmar que aplicar perfume no pescoço eleve especificamente o risco de doenças tireoidianas.

