Um estudo recente identificou um mecanismo que permite ao linfoma difuso de grandes células B comprometer o sistema imunológico. Pesquisadores, do Instituto de Pesquisa Josep Carreras, descobriram que o tumor impede a expressão de uma proteína essencial para o amadurecimento das células de defesa.
O linfoma, um câncer que afeta o sistema linfático, possui mais de sessenta tipos, sendo o LDGCB uma das formas mais frequentes. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o LDGCB representa quase cinco mil novos diagnósticos anuais no Brasil. O tumor se caracteriza por um crescimento rápido e por ocorrer fora dos linfonodos.
Os pesquisadores identificaram, em células humanas e animais, como o LDGCB impede a expressão de uma proteína chamada HDAC7. Sem essa proteína, as células B, responsáveis pela produção de anticorpos, proliferam de forma descontrolada e permanecem em estado imaturo. A diminuição dessa proteína foi associada a um prognóstico pior.
A pesquisadora Mar Gusi-Vives explicou que o processo funciona como o desligamento de um interruptor genético. As mutações cancerígenas alteram a manifestação dos genes da célula de defesa. O estudo demonstrou que a reexpressão dessa proteína melhorou a saúde de animais com linfoma, retomando a programação normal de amadurecimento celular.
Guilherme Perini, hematologista do Einstein Hospital Israelita, alertou que, em humanos, não é possível reintroduzir a proteína de forma experimental. O foco terapêutico passa a ser impedir o bloqueio dessa expressão tumoral. Atualmente, o tratamento combina quimioterapia e imunoterapia, com estimativa de remissão completa em setenta por cento dos casos.


