Um conjunto de três pesquisas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revela que a criminalidade e a insegurança impactam a economia brasileira, drenando recursos de 84% dos orçamentos familiares e reduzindo investimentos em 25% das indústrias de transformação paulistas. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (31) no Congresso Fiesp de Segurança Pública.
O estudo Percepção Nacional de Segurança Pública ouviu mais de 2,4 mil pessoas em 658 municípios. Os resultados indicam que 60% dos entrevistados enfrentam dificuldades profissionais devido a facções, milícias ou crime organizado. Além disso, 25% dos cidadãos relataram ter recusado oportunidades de trabalho por medo da violência.
No setor produtivo, o levantamento com 285 empresas de transformação em São Paulo mostrou que 40% foram vítimas de crimes no último ano. Os delitos virtuais dobraram desde 2023 e tornaram-se a principal ameaça às fábricas, atingindo quase 20% do setor. Cerca de 98% das indústrias pagam por monitoramento, seguros e segurança privada.
A apuração indica que 70% dos industriais consideram que o custo do crime prejudica a competitividade do Brasil no mercado global. Quase 20% das empresas vítimas de crimes tiveram perdas superiores a 1% do faturamento anual. Metade dos casos não foi registrada via Boletim de Ocorrência por descrença na eficácia do processo.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, afirmou que o enfrentamento decisivo ao crime é um desejo da sociedade com reflexos na preservação de empregos e na atração de investimentos. O evento na sede da federação reuniu especialistas e autoridades para debater soluções contra o crime organizado.
Uma terceira pesquisa, conduzida pelo economista Pery Francisco Assis Shikida com 400 presos em São Paulo, revelou que apenas 6,2% cometeram crimes lucrativos por necessidade real. O estudo aponta que 46% dos relatos indicam que o crime organizado exerce funções que deveriam ser do Estado.

