Uma pesquisa realizada pela Ipsos para o Global Fund for a New Economy (GFNE) indicou que, no Brasil, a percepção econômica ultrapassa a polarização política. Cerca de 58% dos entrevistados concordam que o sistema econômico brasileiro beneficia principalmente os ricos e poderosos.
A avaliação compartilhada por mais da metade da população reflete uma insatisfação geral com o funcionamento da economia. Pedro Rossi, economista-chefe do GFNE, explicou que essa visão aponta para uma defesa de um Estado mais intervencionista e antiliberal, focado no desenvolvimento, mas que também controle preços e proteja o cidadão.
Outros dados apontam para um apoio majoritário à manutenção do controle estatal sobre empresas estratégicas, com 59% dos entrevistados concordando. Além disso, 66% apoiam a atuação do governo sobre os preços dos combustíveis. Quarenta e três por cento consideram que o governo deve ter poder para obrigar o Banco Central a reduzir juros.
O levantamento, feito com duas mil pessoas de 18 anos ou mais das classes ABC entre junho e julho, mostrou que 47% dos entrevistados são favoráveis a um governo forte que oriente o crescimento de longo prazo. Rossi observou que a convergência econômica supera as agendas tradicionais de esquerda e direita, mostrando adesão maior a propostas da centro-esquerda e da chamada “nova economia”.

