Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (17) mostra que 42% das mulheres brasileiras já jogaram ou jogam em plataformas de apostas online. O levantamento indica que mais da metade das mulheres no país, totalizando 54%, sente o efeito direto do hábito, seja como apostadora ou por conviver com quem joga.
Os dados foram coletados pelo estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia. A fundadora do estúdio, Beatriz Della Costa, afirmou que o estudo é o primeiro a analisar o impacto das apostas não só na apostadora, mas também em quem é afetado por essa prática.
O estudo aponta que mulheres com filhos apostam cerca de 1,6 vez mais do que as que não têm filhos, e 72% das apostadoras entrevistadas têm descendentes. Entre as mulheres, as apostas frequentemente surgem como forma de tentar administrar despesas básicas, como boletos e alimentação, e não apenas pela ideia de renda fácil.
Os relatos indicam que muitas apostadoras praticam o jogo sozinhas e escondem o hábito da família por vergonha. Cerca de 67% das entrevistadas avaliam que as apostas estão prejudicando as famílias brasileiras, citando conflitos, perda de confiança e desgaste emocional.
Em relação às modalidades, metade das apostadoras joga em cassinos online. A pesquisa defende três eixos de enfrentamento ao problema: fortalecer a saúde pública para atender os afetados, restringir a publicidade e limitar gradualmente as modalidades de aposta, começando pelos cassinos online.

