Um levantamento do instituto Ipsos, encomendado pela plataforma Unico, indica que onze por cento dos jovens brasileiros realizaram apostas online em 2025. O maior índice ocorre entre rapazes de dezesseis e dezessete anos, com vinte por cento declarando ter apostado.
De acordo com a pesquisa, quarenta e um por cento dos entrevistados apostaram motivados pela curiosidade. A psicóloga Laura Palmer explica que esse fator se relaciona ao desenvolvimento neurológico dos adolescentes. As áreas cerebrais ligadas à busca por prazer e recompensa rápida estão mais desenvolvidas, enquanto a avaliação de consequências e o controle de impulsos ainda estão em fase de desenvolvimento.
Este descompasso entre a busca por recompensa imediata e a análise de consequências futuras cria um cenário propício para o mecanismo de apostas se tornar uma armadilha. Palmer alerta que o vício pode gerar ciclos de frustração, ansiedade e culpa, podendo evoluir para transtornos psicológicos mais graves sem acompanhamento.
A prevenção depende da família e da escola. A psicóloga defende que a presença ativa e a comunicação aberta em casa são ferramentas cruciais. Ela sugere que o acompanhamento seja uma forma de prevenção, focando em escutar o filho, e não apenas em punir.
A escola também deve atuar na conscientização, especialmente devido à forte exposição à publicidade de apostas. Incentivar palestras e rodas de conversa sobre o assunto pode auxiliar o processo de reflexão sobre as consequências.


