Christopher Dede, pesquisador sênior da Universidade Harvard, afirmou que as instituições de ensino superior estão abordando o desafio da inteligência artificial de forma equivocada. Segundo Dede, o foco atual está em impedir o uso indevido da tecnologia, e não em preparar os estudantes para um mundo onde a IA é onipresente.
Dede explicou que os sistemas educacionais atuais priorizam a mensuração e a avaliação de conhecimento, como nos exames padronizados. Esse modelo, ele disse, prepara as pessoas para serem superadas pela IA, em vez de equipá-las com habilidades que a complementem. O especialista distingue a capacidade de ‘cálculo’, que a tecnologia executa bem, do ‘julgamento’, competência humana.
O pesquisador apontou que muitas discussões sobre IA na educação focam em otimizar métodos tradicionais. Contudo, ele alertou que as habilidades ensinadas que a IA pode dominar em sala de aula serão as mesmas que a tecnologia executará no ambiente de trabalho. Para Dede, o foco deve ser em ‘fazer coisas melhores’, e não apenas ‘fazer coisas melhor’.
Instituições podem usar a IA para desenvolver o julgamento, por exemplo, em simulações de negociação. Um estudante pode praticar cenários complexos com um assistente de IA, que simula um chefe ou um vendedor. A ferramenta pode analisar o desempenho, permitindo que o aluno aplique o conhecimento adquirido em contextos práticos.
Dede ressaltou que a restrição tecnológica não é a solução. Ele criticou professores que retornam a métodos analógicos, dizendo que eles estão ‘perdendo o ponto’. A necessidade, segundo ele, é que os educadores questionem o porquê de ensinar um conteúdo, e não como impedir o uso da tecnologia para fraude.


