Pesquisadores da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis, sediada no Instituto de Tecnologia de Alimentos, transformaram grãos quebrados de feijão carioca em um ingrediente proteico concentrado. O novo produto aproveita um subproduto agrícola e pode diminuir a necessidade da indústria nacional de proteínas vegetais de soja ou ervilha.
O desenvolvimento utilizou a “bandinha”, ou os grãos quebrados desvalorizados do beneficiamento da leguminosa. A proteína concentrada foi obtida por fracionamento a seco, método considerado mais ecológico por não usar solventes e consumir menos água e energia que a extração úmida. O processo envolve moagem, transformação em farinha integral e separação mecânica em frações amilácea e proteica.
A fração proteica alcançou concentração entre 40% e 50% de proteína. Segundo a pesquisadora Mitie Sonia Sadahira, coordenadora do projeto, o ingrediente possui qualidade nutricional superior ao padrão estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, apresentando todos os aminoácidos essenciais. Esse perfil torna o alimento autossuficiente nutricionalmente.
Além disso, o pré-tratamento térmico aplicado ao feijão reduziu em até 95% fatores antinutricionais, como fitatos e inibidores de protease. Essa redução, combinada ao fracionamento, resultou em um ingrediente com digestibilidade superior a 60%. Sadahira afirmou que o processo também melhorou a qualidade sensorial, conferindo sabor neutro e coloração clara ao pó.
O novo pó é versátil, podendo gerar pó instantâneo para cappuccino sem açúcar ou ser combinado com frutas tropicais em bebidas vegetais fermentadas. As tecnologias serão oferecidas ao mercado em pacotes, com preferência de licenciamento para as empresas que investiram no desenvolvimento das pesquisas.

