Pesquisadores do Instituto Proshark e da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificaram o complexo estuarino entre Ilha Grande e Sepetiba como área de berçário para três espécies de tubarões ameaçadas de extinção. O estudo mapeou o uso da região por fêmeas em diferentes fases da gestação.
O ecossistema estudado abrange cerca de 60 quilômetros e soma 3,1 mil km². Ele funciona como santuário de biodiversidade marinha, banhando os municípios de Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí e parte do extremo oeste do Rio. O achado foi publicado na sexta-feira, dia 14 de agosto, em revista especializada.
O estudo identificou fêmeas grávidas de tubarão-rotador, tubarão-galha-preta e tubarão-mangona na região. Seis fêmeas capturadas acidentalmente por pescadores foram analisadas. Os animais foram medidos e soltos após exames que avaliaram o número de embriões e estágios de desenvolvimento.
Fernanda Lana, bióloga e presidente do Instituto Proshark, afirmou que o resultado demonstra que o complexo Ilha Grande-Sepetiba pode ter papel fundamental em todo o ciclo reprodutivo dos animais. A presença de manguezais e enseadas protegidas oferece abrigo e alimento para as fêmeas gestantes e filhotes.
Os dados da pesquisa auxiliaram no reconhecimento da Enseada de Piraquara de Fora, em Angra dos Reis, como Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).


