Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), em Campinas, desenvolveram um ingrediente proteico com até 50% de proteína a partir de grãos quebrados de feijão carioca. A iniciativa visa oferecer à indústria alimentícia uma alternativa às proteínas vegetais de soja e ervilha, que são majoritariamente importadas.
A tecnologia foi desenvolvida pela Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (Pbis), criada em dois mil e vinte e um com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Segundo os pesquisadores, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de feijão, e a variedade carioca corresponde a cerca de 54% das três milhões de toneladas anuais produzidas no país.
O processo utiliza o fracionamento a seco, dispensando solventes e consumindo menos água e energia que métodos úmidos convencionais. O feijão é moído e separado em duas frações: uma proteica, com 40% a 50% de proteína, e outra amilácea, rica em amido. Análises indicaram que a fração proteica contém todos os aminoácidos essenciais e supera parâmetros da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Um pré-tratamento térmico aplicado antes da moagem reduziu em até 95% compostos antinutricionais, como fitatos e taninos. A digestibilidade do ingrediente atingiu mais de 60% e o tratamento também alterou o sabor característico do feijão, resultando em uma farinha de cor clara. A equipe testou essa fração em pó instantâneo para cappuccino e em bebidas vegetais fermentadas.
Gisele Anne Camargo, gestora executiva e pesquisadora principal do projeto, afirmou que os próximos passos dependem das indústrias. A Pbis relatou que a tecnologia alcançou os níveis cinco e seis da escala TRL, que mede a maturidade tecnológica.

