A inteligência artificial tornou-se um interlocutor para pessoas que buscam conselhos ou desabafar problemas pessoais. Este comportamento, antes restrito a amigos ou especialistas, gera debates sobre tecnologia e relações humanas. A professora Sheila Cunha, da Nova Acrópole, explica que o fenômeno reflete uma sociedade que valoriza o acesso imediato à informação.
A especialista afirma que os seres humanos sempre buscaram espaços de escuta para compartilhar medos e dúvidas. A diferença atual é que a conversa pode ocorrer com uma ferramenta tecnológica disponível a qualquer momento. Segundo ela, o uso da IA pode ajudar a organizar pensamentos, transformando sentimentos em palavras e servindo como reflexão inicial.
Contudo, Sheila Cunha alerta para a limitação da tecnologia. Ela disse que a inteligência artificial processa informações e constrói respostas coerentes, mas não vivencia emoções nem estabelece laços humanos. Há distinção entre parecer compreender e realmente compreender.
A filósofa também apontou a crescente procura por soluções rápidas para dilemas complexos. Questões sobre emoções e escolhas pessoais demandam tempo e amadurecimento, algo que uma resposta imediata dificilmente oferece. O pensamento filosófico, nesse cenário, deve estimular perguntas melhores, promovendo a autonomia do indivíduo.


