A Polícia Federal concluiu que a queda do avião da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024 em Vinhedo, São Paulo, foi resultado de falhas operacionais, problemas de manutenção e erro humano, e não apenas de condições climáticas. A investigação aponta que a tripulação tinha conhecimento de falhas no sistema de degelo, mas não as corrigiu.
O laudo final da PF indica que pilotos e funcionários da companhia tinham ciência de falhas no sistema de degelo da aeronave. Contudo, os problemas não foram registrados nem corrigidos antes do voo. Com base nos achados, a Polícia Federal deve indiciar 17 pessoas por atentado contra a segurança do transporte aéreo.
A perícia revelou que pilotos de voos anteriores deixaram de registrar panes no Diário Técnico da aeronave, o que impediu os reparos necessários. Além disso, a PF concluiu que o voo não deveria ter sido autorizado, pois o comandante sabia da falha no sistema de degelo e a aeronave operava com limpadores de para-brisa inoperantes, em desacordo com as regras para voos com previsão de chuva.
O relatório também aponta falhas na manutenção, como o atraso de mais de 73 horas em uma inspeção preventiva do sistema de degelo. Durante a formação de gelo severo, a tripulação não executou os procedimentos de emergência previstos, priorizando tarefas rotineiras. As gravações da cabine confirmam que a tripulação conhecia os problemas, com o comandante afirmando: “Essa bosta não tá funcionando, né?”.


