A Polícia Federal (PF) indiciou 16 pessoas, incluindo diretores e funcionários, por crimes relacionados ao acidente aéreo da Voepass, ocorrido em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024. Os indiciamentos abrangem falsidade ideológica e atentado contra a segurança do transporte aéreo, após a tragédia ceifar 62 vidas.
O relatório final da PF aponta que a tragédia foi resultado de uma cadeia de omissões deliberadas. A aeronave foi despachada para uma rota com previsão de gelo severo, mesmo com o sistema de degelo sabidamente inoperante, conforme falhas registradas em três voos anteriores no mesmo dia. A perícia concluiu que o acidente decorreu da combinação de falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em área de gelo severo e falhas nos procedimentos de segurança.
Os crimes imputados variam de falsidade ideológica, por omissão de falhas técnicas em documentos, a atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro aéreo com resultado morte. O atentado contra a segurança aérea, previsto no Código Penal, prevê pena de 4 a 12 anos se resultar na queda da aeronave, podendo dobrar se houver morte.
A companhia aérea, Voepass, informou que aguarda a divulgação oficial do relatório da PF para se manifestar sobre o conteúdo. Paralelamente, o Cenipa divulgou um relatório que detalhou a reconstrução do voo, analisando caixas-pretas e registros de manutenção.


