A Polícia Federal (PF) investiga a atuação do empresário Cléber Ribas, proprietário da empresa de tecnologia 3Structure, em um dos três inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A companhia recebeu R$ 58 milhões em contratos com a União desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
A apuração analisa mensagens que indicam a tentativa de Ribas em expandir negócios com órgãos federais, como o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). A investigação aponta que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger para intermediar esses contatos.
Em março de 2023, Luchsinger questionou o empresário sobre o interesse em falar com outros ministérios. Ribas mencionou uma pendência na Dataprev, e a lobista afirmou que buscaria identificar quem comandava a estatal. No mês seguinte, os dois agendaram um jantar com a participação de Fábio Luís e de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente.
A PF também apura a relação entre a lobista e Lulinha. Em maio de 2023, Ribas solicitou uma reunião com Fábio Luís após a Dataprev receber um novo presidente. O empresário visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e firmou dois contratos com o MDS, pasta chefiada pelo ministro Wellington Dias.
Cléber Ribas afirma que os contratos com o governo seguiram os procedimentos legais. Sobre o vínculo com Fábio Luís, declarou que a relação é de amizade, sem caráter financeiro, e que se aproximaram durante o tratamento do empresário contra um câncer.
Ribas também foi alvo de outro processo. Em setembro de 2024, assinou um acordo de não persecução penal sobre pagamentos de R$ 218 mil. Segundo o Ministério Público, entre 2006 e 2010, o então presidente do Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso, Adriano Niehues, recebeu valores indevidos por intermédio do empresário, fato que Ribas classificou como mal-entendido.


