A Polícia Federal (PF) investiga se a empresária Roberta Luchsinger atuou na intermediação de negócios com os Correios. A suspeita baseia-se em uma minuta de contrato encontrada no celular da empresária e em mensagens que citam a estatal, no âmbito de um inquérito que apura possível tráfico de influência com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
O documento localizado no aparelho de Luchsinger detalha um acordo entre a RL Consultoria e Intermediações, da qual ela é sócia, e a Safe Consig Tecnologia da Informação. A minuta previa o pagamento de uma comissão de 50% sobre as vendas realizadas pela Safe Consig à consultoria de Roberta. Em mensagem enviada no dia 13 de maio de 2024, a empresária afirmou a um interlocutor que assinaria o texto revisado por um homem chamado Saulo.
A PF apura se o nome refere-se a Saulo de Tasso Alves Caracas Dino, sócio da Safe Consig. Procurado, ele disse desconhecer qualquer contrato entre as empresas. Outro sócio, Rodrigo Feitosa, afirmou que Roberta e Lulinha não intermediaram negociações e que qualquer contato mencionado não ocorreu com a autorização da Safe Consig.
No dia 28 de maio de 2024, duas semanas após a mensagem de Roberta, os Correios contrataram a Safe Consig. O acordo, firmado sob regime de comodato e sem custos para a estatal, permitiu a administração da margem de empréstimos consignados de 84 mil funcionários. A empresa é remunerada pelas instituições financeiras que acessam os dados dos servidores.
O contrato foi assinado por Fabiano Silva, então presidente da estatal, e pelos diretores Maria do Carmo Lara Perpétuo e Getúlio Marques Ferreira. Os três já deixaram os cargos. Silva, que mantém relação de amizade com Roberta e Lulinha, negou que a proximidade tenha influenciado a contratação, afirmando que a governança interna da instituição foi cumprida.
Maria do Carmo, ex-prefeita de Betim (MG) pelo PT, declarou que a elaboração do contrato coube à área administrativa e que o processo foi legal. Ela afirmou ainda que nunca teve contato com Lulinha ou Roberta. Ferreira também é ligado ao PT no Rio Grande do Norte. Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva negam qualquer irregularidade.

