O Partido Liberal (PL) disponibilizou R$ 31,4 milhões adicionais para as campanhas eleitorais deste ano por meio de uma manobra financeira envolvendo o Instituto Álvaro Valle (IAV). A prática, que consiste na devolução de verbas da fundação para a sigla, é questionada por técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como possível desvio de finalidade.
A Lei dos Partidos Políticos obriga as legendas a gastar ao menos 20% do fundo partidário na manutenção de institutos de pesquisa e educação política. Em 2025, o PL recebeu R$ 208 milhões desse fundo, o que exigiria um investimento mínimo de R$ 41,6 milhões no IAV. No entanto, a fundação declarou à Justiça Eleitoral em janeiro ter devolvido R$ 31,4 milhões ao partido como sobras não utilizadas.
A apuração indica que a devolução de recursos da fundação ao PL é constante. Entre 2024 e 2026, o mecanismo acrescentou cerca de R$ 114,6 milhões aos cofres da sigla. O montante pode ser maior, pois o partido registrou R$ 34,8 milhões em 2023 como outras receitas diversas do Fundo Partidário, sem detalhar a origem.
Até agosto deste ano, o PL recebeu R$ 129 milhões de fundo partidário. Para cumprir a lei, deveria ter enviado R$ 25,8 milhões ao IAV, mas repassou apenas R$ 13,4 milhões até o momento. Em 2025, o investimento na entidade foi de R$ 5 milhões, ou 2,4% do fundo, e em 2024 foi de R$ 3,6 milhões, equivalente a 1,7%.
A área técnica do TSE apontou indícios de irregularidades em parecer sobre a prestação de contas de 2023, que ainda aguarda julgamento. Jamile Coelho Vieira, advogada e ex-desembargadora do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), afirmou que a verba extra pode gerar desequilíbrio no processo eleitoral ao ampliar os recursos de campanha.
O PL não se manifestou sobre o uso do dinheiro após ser procurado por e-mail e WhatsApp desde a quinta-feira anterior.


