O início da temporada de plantio de soja e algodão no Brasil, previsto para meados de setembro, deve elevar a demanda global por diesel em 200 mil barris por dia acima dos padrões de entressafra. O cenário pressiona os custos de produção no campo e agrava a crise de abastecimento de combustível pesado no mundo.
O Brasil é o maior importador de diesel depois da Austrália e depende fortemente de suprimentos externos para operar tratores e caminhões. A situação é agravada por conflitos no Irã, que desorganizaram as rotas no Estreito de Ormuz, e por ataques ucranianos a refinarias na Rússia, que proibiu a exportação do combustível.
Agricultores enfrentam os maiores preços sazonais de diesel em quatro anos. Irineu Orth, produtor de 76 anos na Bahia, afirmou que os custos do combustível estão consumindo a margem de lucro da atividade. Ele prepara o plantio de uma área de 22 mil acres.
A dependência brasileira voltou a se concentrar nos Estados Unidos, principal fornecedor mundial. Em julho, o país importou a maior quantidade de diesel americano em quase quatro anos, após a queda nas importações russas, que diminuíram mais da metade em relação a maio.
Susan Bell, vice-presidente sênior de pesquisa da Rystad Energy, informou que as refinarias brasileiras operam com 95% de utilização, mas a capacidade interna não supre a demanda. Segundo Bell, os estoques nos EUA estão nos níveis sazonais mais baixos já registrados, sem margem para recomposição imediata.
O pico de importações brasileiras costuma ocorrer em setembro, segundo dados da Vortexa Ltd. A sobreposição do plantio no Hemisfério Sul com a colheita no Hemisfério Norte eleva a pressão global por diesel e gasóleo até outubro.
Nikolas Plonski, analista da Sparta Commodities, explicou que o diesel da Coreia do Sul é a opção mais viável para o porto de Santos no momento. No entanto, as exportações de Houston devem voltar a ser competitivas a partir de novembro, com a continuidade do plantio no Brasil até dezembro.


