A Polícia Civil do Rio de Janeiro dialogará com autoridades da Ucrânia no próximo mês para tratar da presença de indivíduos brasileiros no conflito com a Rússia. A pauta inclui a suspeita de que membros de facções do Rio buscam técnicas de combate no exterior para uso futuro no Brasil.
A investigação ganhou força com o uso crescente de drones por grupos criminosos no Rio de Janeiro. Equipamentos usados na guerra da Ucrânia passaram a ser empregados por facções em ataques contra rivais e autoridades, inclusive para lançar explosivos. Em maio, a Subsecretaria de Inteligência do Estado do Rio de Janeiro identificou que o Comando Vermelho estaria enviando integrantes à Ucrânia.
Segundo a apuração, os criminosos se uniriam às Forças Armadas ucranianas, mas com o objetivo de adquirir experiência militar. O foco inclui o uso de drones de baixo custo e a adaptação de artefatos civis para operações militares a distância. Casos recentes na capital mostram o uso desses drones em disputas entre organizações criminosas.
Registros da Polícia Civil indicam incidentes como o recolhimento de um explosivo similar a granada improvisada, lançado por drone sobre uma associação de moradores na Zona Oeste, em julho. Outros ataques resultaram na destruição de casas e ferimentos graves de moradores. Em agosto, uma granada foi lançada em uma creche na Zona Norte, sem vítimas.
A Ucrânia exige que estrangeiros combatentes não possuam antecedentes criminais. Diplomatas ucranianos afirmam que o intercâmbio de informações com o Brasil é insuficiente, pois nem sempre recebem dados sobre criminosos que viajam para o país.


