A Polícia Civil de Conchal (SP) indiciou um médico por homicídio culposo após a morte de um menino de três anos, ocorrida em março deste ano por picada de escorpião. O pai da criança manifestou alívio com a conclusão do inquérito, que apontou negligência no atendimento médico.
O inquérito policial, que totaliza dezesseis páginas, constatou que o profissional não seguiu diretrizes de saúde. Segundo o delegado responsável, qualquer criança com menos de dez anos picada por escorpião deve ser estabilizada e encaminhada imediatamente a um hospital de referência com soro antiescorpiônico, como o de Araras (SP).
O médico manteve o garoto em observação em Conchal, contrariando as regras. O quadro clínico do menino se agravou, levando a uma parada cardiorrespiratória e choque cardiogênico. A transferência emergencial para Araras ocorreu mais de quatro horas após a picada, momento em que o estado já era irreversível, conforme atestou o Instituto Médico Legal (IML).
A defesa do médico declarou que possui “plena certeza de sua inocência”. Em contrapartida, a Santa Casa de Conchal informou que o profissional acionou o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ceatox) quatro vezes durante o atendimento e solicitou a transferência ao notar o agravamento do quadro. O Ministério Público avaliará o inquérito para decidir sobre a denúncia e o pedido de afastamento cautelar do profissional.


