A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), investigam 20 pessoas suspeitas de integrar núcleos ligados à milícia de Curicica e ao Terceiro Comando Puro (TCP). O grupo teria firmado um pacto de não agressão e cooperação para enfrentar o Comando Vermelho (CV).
A apuração, baseada em mensagens de um celular apreendido, revelou uma aliança entre paramilitares e traficantes da Vila do João, na Maré, e do Complexo da Pedreira. Entre os denunciados, sete estão presos, incluindo os policiais militares Jorge Anastácio Rodrigues Simões, do 4º BPM, e Leo Carlos Araújo Santos, do 2º BPM. Ambos são acusados de intermediar o fornecimento de fuzis calibres 5,56, 7,62 e 223, além de pistolas.
Um dos diálogos interceptados foi escrito por Yuri Guimarães Soares, conhecido como Lirow, que atuava como elo entre a milícia e o TCP. Na mensagem enviada a Osmar Silva de Souza, o Messi, Lirow afirmou que a facção não era inimiga da milícia e que a cooperação era necessária para enfrentar o Comando Vermelho. Yuri foi assassinado no dia 8, embora as circunstâncias do crime não tenham sido informadas.
A investigação começou em 15 de novembro de 2023, quando Lirow foi preso em flagrante em Santa Cruz com dois fuzis e um carro blindado. A polícia apurou que o armamento seria entregue a um paramilitar que assumiu o comando de uma quadrilha local após a morte de Alan Ribeiro Soares, o Nanan, ocorrida em 4 de novembro do mesmo ano.
Segundo o MPRJ, a milícia de Curicica possui estrutura hierarquizada. André Costa Bastos, o Boto, seria o responsável pelo comando estratégico, enquanto Osmar Silva de Souza exerceria a chefia operacional. O grupo financiaria suas atividades por meio de extorsão de moradores e comerciantes, além de roubos de veículos e cargas em Jacarepaguá e regiões próximas.
A denúncia, recebida pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, atribui aos acusados crimes de constituição de milícia privada, associação para o tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. A Polícia Militar informou que os agentes presos serão submetidos a Procedimentos Administrativos Disciplinares (PADs) para avaliar a permanência na corporação.


